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Posts de Julho 23rd, 2008

Apocalipse: uma Interpretação Espírita Das Profecias

Publicado por Mição em 23/Julho/2008

Trecho do livro
Apocalipse uma Interpretação Espírita Das Profecias
De Robson Pinheiro pelo espírito Estêvão

“Vi na mão direita do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.

Vi também um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro, e de lhe romper os selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.

E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele.” Ap 5:1-4

No desdobramento experimentado por João na ilha de Patmos, ele foi conduzido a outra dimensão da vida, onde lhe foi ampliada a segunda vista e pôde observar os fatos registrados nos planos superiores, a respeito dos acontecimentos que se realizariam em diversas épocas da humanidade.

Por mais claros que se revelassem ao profeta os acontecimentos mundiais, ser-lhe-ia impossível a descrição fiel desses fatos, pois faltavam-lhe termos adequados para a comparação necessária.

João utiliza-se, então, da linguagem simbólica, tão comum ao seu povo. O próprio Jesus havia se utilizado do simbolismo das parábolas para dedilhar, nas cordas sensíveis do sentimento humano, o hino enaltecedor do Evangelho, como realidade eterna. Profetas como Isaías, Ezequiel e Daniel utilizaram-se também de figuras representativas, transmitindo ao povo de Israel os apelos e alertas do Alto.

Eis que o discípulo amado de Jesus, recorrendo a figuras de linguagem, formas externas, transmite à posteridade lições preciosas a respeito de acontecimentos mundiais, históricos e proféticos.

O profeta tem uma característica peculiar: é um médium, um sensitivo que pode subtrair-se do plano físico, da realidade objetiva, e expandir sua consciência além da dimensão material, penetrando no fluxo das realidades de todas as coisas, de todos os acontecimentos. Sua mente é projetada entre as dimensões e, ao retornar do êxtase ou transe consciencial, traz pálidos lampejos do que presenciou. Muitas vezes não consegue transmitir as imagens, devido ao peso vibratório da matéria, próprio do corpo denso, que amortece as lembranças do sensitivo. Para o médium, muitas vezes, sua faculdade e as limitações que a envolvem são muito naturais.

Sabe-se que a mediunidade se manifesta de formas variadas, mas, segundo o relato do próprio apóstolo no início do livro, ele foi “arrebatado em espírito” (Ap 1:10), ou seja, desdobrado para o plano espiritual, onde o emissário celeste revelou-lhe os acontecimentos.

Vemos, no Apocalipse (Ap 5:1-2), a figura representativa de um livro especial, selado com sete selos.

O livro em todas as épocas foi o símbolo do conhecimento, da sabedoria. Era costume que os reis selassem os documentos importantes com seu próprio selo, significando, com isso, a responsabilidade ante o conteúdo.

A figura utilizada por João é bela, contendo profundo significado. Examinemo-la novamente:

“Vi na mão direita do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.

Vi também um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro, e de lhe romper os selos?” Ap 5:1-2

Perante a importância do conteúdo, do que seria revelado quanto ao destino da humanidade, era imperioso encontrar alguém que reunisse condições morais suficientes para administrar os destinos do homem com sabedoria.

Aliada à moral elevada, a sabedoria era imprescindível, a fim de que os acontecimentos não fugissem aos limites traçados pelas leis sábias que regem os nossos destinos.

O homem é, na realidade, o único ser que pode forjar o próprio destino, embora esteja restrito aos ditames da soberana lei da vida. Quando, com o uso indevido do livre arbítrio, ele ameaça a estabildade geral da obra divina, limites naturais lhe são impostos, a fim de que não interfira negativamente.

Deve, nesse caso, se submeter aos preceitos da Lei Maior, que determina, a cada um, colher conforme a semeadura.

Quando, em algum lugar no universo, algum ser ou alguma parte se rebela, ou quando por seus atos provoca mudança na ordem natural, entra em ação a lei do carma, que tudo regula, tudo orienta para a harmonia geral.

O homem tem menosprezado por séculos os apelos santificantes que o Alto lhe envia. Em sua ânsia de poder e no orgulho a que se entrega, tem provocado o caos no ambiente em que está situado.

Por bondade da Divina Providência, é preciso o saneamento geral do panorama psicofísico do planeta, a fim de torná-lo habitável para uma humanidade mais aperfeiçoada.

Contudo, não é Deus que despejará sua pretensa indignação sobre a morada dos homens; é o próprio homem que acumulou, em si e no ambiente onde se processa sua evolução, os fluidos mórbidos da guerra, da indisciplina, da maledicência, da sensualidade e de todas as formas de paixões que caracterizam sua inferioridade.

A lei da harmonia geral entrará em ação a fim de que sejam expurgados da Terra os elementos que a intoxicam. Essa mesma lei presidirá a queima da carga negativa, acumulada desde milênios pela dor e o sofrimento, como também promoverá a derrocada dos poderes humanos, frágeis ante a inexorabilidade das leis divinas.

Governos, nações, economias, impérios degradantes construídos ao longo dos séculos, instituições religiosas, todas as conquistas e realizações da civilização serão postas sob o fogo ardente dos sofrimentos aguardados neste final de ciclo evolutivo.

E aqueles que se encontram sintonizados com o sistema, passarão pelo tanque das lágrimas purificadoras, a fim de expurgarem as ações infelizes e as matrizes mentais inferiores, acumuladas ao longo das suas encarnações.

A noite profunda dos séculos transatos esconde dramas que serão revelados neste fim dos tempos. Os atores retornarão ao palco da vida terrestre para colherem os aplausos ou as vaias, as flores ou os espinhos, segundo a vibração íntima de cada um, seja no corpo físico ou fora dele.

Como assevera iluminado companheiro espiritual, se a lei nos faculta a liberdade de semear, a inexorabilidade da mesma lei nos obriga a colher, conforme a natureza do que plantamos.

“Todavia um dos anciãos me disse: Não chores! Olha, o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.”

João, contemplando a realidade triste a que o homem se entregava ao longo de sua peregrinação na crosta planetária, pressente que apenas alguém, detentor de real superioridade moral sobre o homem terreno, possui condições de abrir os sete selos, que mantêm fechado o livro dos destinos da história humana.

Graças a Deus, na visão apocalíptica, o vidente presencia o Mestre assentado sobre o trono, indicando sua posição de governador espiritual do planeta Terra – único em condições de abrir os selos:

“Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes, e entre os anciãos, em pé, um Cordeiro, como havendo sido morto (…)”.

Logo que tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.

E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos (…).Ap 5:6,8-9

A visão é importantíssima com relação ao futuro planetário, quando mostra a abertura simbólica dos selos.

O fato de que o Divino Cordeiro, figura representativa de Jesus, detém as condições de realizar tal feito, demonstra-nos que, apesar de todas as infelizes realizações humanas – e mesmo diante das calamidades e sofrimentos que talvez possam aguardar o homem terrestre nos últimos momentos que antecedem o raiar de uma nova era, Jesus permanece segurando as rédeas dos destinos de todos nós que nos achamos comprometidos com a evolução no planeta Terra.

Na linguagem simbólica, a majestade e a soberania de Jesus estão expressas no fato de o profeta ouvir

“a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos seres viventes, e dos anciãos” (Ap 5:11),

que proclamam sua autoridade e reconhecem ser Ele o único detentor da permissão para abrir os selos. A seguir,

“toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há” (Ap 5:13)

manifestam que o Cordeiro é quem reúne as condições necessárias para romper os lacres do livro sagrado.

Isto é, toda a criação relacionada ao orbe terreno, das coisas aos elevados mensageiros extracorpóreos, declara-se submissa a Jesus e tem nele o diretor dos destinos.

O Divino Timoneiro segura nas mãos os acontecimentos mundais, necessários à emancipação espiritual dos filhos da Terra.

Embora dolorosos, quaisquer acontecimentos são por Ele coordenados, a fim de que não sucumbam aqueles que não têm necessidade, temperando, com sua misericórdia, as manifestações da justiça e da eqüidade.

Jesus é o único capaz de abrir os selos do livro dos destinos por ser Ele o Senhor de nossas vidas, no que concerne aos impositivos de nossa evolução espiritual.

No entanto, mesmo detendo o poder de administrar nosso porvir, não pode interferir no curso dos acontecimentos, pois tudo obedece e obedecerá sempre ao preceito divino de que cada um colherá conforme haja plantado.

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