Entrevista com o fundador da Associação Lunares – Parte 2 – por Mição
Publicado por Mição em 24/Agosto/2009
Artigo publicado no Jornal Samadhi – Edição 10 – setembro de 2009, de minha própria autoria
Na edição de Agosto, deparamo-nos com as dificuldades que o grupo Lunares (formado por espíritas) vem enfrentando a fim de poder levar sua mensagem em prol da Vida, alertando sobre as consequências do Suicídio, e sobre muitos Espíritas, Espiritualistas e pessoas – que têm como filosofia de sua religião, a continuidade da vida após a vida – os quais se recusam a sair de sua “zona de conforto”. Como Marco Aurélio mesmo comentou comigo, “a Lunares trabalha há 20 anos com isso, fazendo a sua parte, explicando que o trabalho não é só nosso, mas de toda a sociedade, cristã ou não”.
1. A prática ou tentativa de suicídio é uma realidade de um grupo específico de uma classe social, religião, idade, nacionalidade? Afinal, qual é o perfil desse grupo?
A prática, tentativa ou idéias suicidas não pertence a um grupo em específico. É uma dura realidade encontrada em toda a sociedade de qualquer país, credo, raça, idade, etc. Por esse motivo a Lunares existe, por isso vamos às comunidades levar informações sobre o suicídio, pois, nós espíritas sabemos sobre o quadro doloroso que os suicidas passam “do outro lado”. Como se sabe, pelo menos nós espíritas sabemos, que em toda Casa Espírita, há o trabalho de desobsessão, e sempre aparecem aqueles irmãos espirituais que necessitam ser ajudados devido a tal prática. Ora, por que esperar que aconteça para depois tentar orientá-los? Alertando a sociedade e levando a informação, muitos poderão desistir dessa idéia.
2. Como você mesmo já relatou (edição passada), o grupo já foi “convidado” a se retirar de algumas Casas Espíritas. Você acha que no meio espírita, há muita palestra e pouca ação, ou, como se diz no ditado popular “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”?
Infelizmente, em alguns campos sim. O meio espírita tem que ser muito elogiado em muitas áreas, bem como o meio católico, protestante, budista, etc. Entretanto, entendemos que o meio espírita está em um estado de conforto. Por quê? Porque só cuida de fazer palestra, trabalho mediúnico, cura, ou outra tarefa qualquer. Mas, quando se diz em fazer algo de maior impacto, que exija expor-se, aí recuam. Preferem tratar de uma “Festa da Pizza”, da “Noite do Hot-Dog”, ou seja, isso passa a ser mais importante que um trabalho em prol da vida. Esta é a grande dificuldade que encontramos. Muitos, a grande maioria, do meio espírita, está parada no tempo. Vê-se muito grupo católico ou protestante, por exemplo, assumindo espaços (o que não é ruim, lógico), mas, daí eu pergunto: “Quem é verdadeiramente o Consolador Prometido? Se nós temos a informação, o conhecimento e estamos parados, quem está consolando de fato?”. Esse marasmo, inclusive, está provocando uma debandada dos jovens das casas espíritas. Eles estão à procura de coisas mais interessantes. É fácil captá-los, difícil é mantê-los no grupo.
3. Um dos trabalhos da Lunares é a “Caminhada Espírita Contra o Suicídio”. Já se realizaram três em São Paulo, Capital. Entretanto, a cada ano, em vez de aumentar o número de adeptos, ele diminuiu. Você atribui isso aos que estão na “zona de conforto”?
Sem dúvida. Divulgamos muito as caminhadas, mas apesar disso, tivemos em 2006, ano do primeiro evento, 42 pessoas. Em 2007, 20 pessoas, e em 2008, apenas 12 pessoas. O espírita tem medo de se expor. Se o recenseador pergunta a sua religião, a maioria é capaz de dizer que é católico, mas gosta de ler alguma coisa de Chico. Daí, falta-lhe coragem para participar de uma caminhada aberta. Fácil é ficar dentro das casas espíritas, difícil é sair delas e mostrar para a sociedade aquilo que diz ter convicção. Também falta-nos apoio da Imprensa comum, da Imprensa Espírita, das Revistas Espíritas, das Federações (do Estado de São Paulo e do Brasil), enfim, dos órgãos que poderiam estar nos ajudando nas divulgações e num maior alcance desse trabalho. Mas, sentimos que neste ano, nossa 4ª Caminhada conseguirá uma grande quantidade de adeptos. Se nos mexermos, irá dar certo.
4. Qual a mensagem que você pode passar para nossos leitores do SAMADHI, e obviamente, aos blogueiros que acessam o Blogção (www.blogcao.com – meu blog) e obviamente, poderão ver esta entrevista publicada?
À sociedade de uma forma geral, que não é espírita, mas espiritualista, digo “Suicídio, mate essa idéia”, e aos Espíritas em específico, tenho a dizer “Se nós temos a ferramenta para Consolar, que a utilizemos, e não fiquemos nos escondendo deixando as coisas acontecerem”.
Lunares, lutando pela vida!!!
Suicídio, mate essa idéia.
Autor, Diretor e Produtor: Marco Aurélio Giangiardi
Para agendar palestras ou a apresentação teatral:
Fone: (11) 2682-6835
e-Mail: marcoaurelio@quallimax.com.br
Sites: www.associacaolunares.com.br / www.lunares.org.br
Na próxima edição, vamos falar especificamente da 4ª Caminhada Espírita Contra o Suicídio. Esperamos que você, prezado(a) leitor(a), sensibilize-se e venha conosco, participar dessa corrente em favor da vida. Até lá!
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